Titan Quest: a longa caminhada até a porta de Zeus
O RPG de ação de 2006 atravessa três civilizações para terminar no Olimpo. Zeus só aparece no último minuto, e é exatamente por isso que a cena funciona.

Titan Quest começa numa estrada de terra perto de uma aldeia grega, com um herói sem nome e uma faca. Sátiros estão queimando as plantações. Ninguém sabe por quê. Trinta horas depois, esse mesmo personagem estará subindo os degraus do Olimpo. A distância entre uma cena e a outra é o que o jogo tem de melhor.
Um mundo antigo em linha reta
A campanha tem três atos longos. O primeiro cruza a Grécia, de Esparta a Atenas e Creta. O segundo desce o Nilo. O terceiro segue a Rota da Seda até a China. A premissa é simples: criaturas chamadas telquines romperam a ligação entre os deuses e os mortais e pretendem libertar um titã aprisionado. Os deuses, sem contato com o mundo, não podem ajudar.
É um caminho sem ramificações. Você anda, luta, recolhe equipamento e avança para a próxima cidade. O que mantém o interesse é a paisagem. Cada região usa a mitologia local para compor seus monstros, e a iluminação, para um jogo de 2006, continua agradável: campos de trigo ao sol, templos egípcios em contraluz, florestas de bambu na neblina.
Duas maestrias, uma classe
O sistema de personagem envelheceu bem. Você escolhe uma maestria no começo e uma segunda alguns níveis depois, e a combinação define a classe. Tempestade com Guerra dá um lutador que eletrifica a espada. Tempestade com Terra dá um conjurador de raios e fogo. Para quem quer brincar de Zeus, a maestria de Tempestade é o caminho óbvio, com relâmpagos encadeados e uma aura elétrica em volta do corpo.
O Olimpo e a fala final
No último trecho, o titã libertado é Tifão, e ele segue direto para a casa dos deuses. A luta acontece no topo do Olimpo, num pátio de mármore sob um céu fechado. É um chefe duro, que castiga personagens mal montados.
Depois da vitória, Zeus finalmente fala. A cena é curta. Ele reconhece o que foi feito e anuncia que a humanidade provou que pode cuidar de si sem a tutela do Olimpo. É um Zeus de voz serena, que encerra a própria era por decisão própria. Poucos jogos dão a ele tanta dignidade com tão pouco texto.
O que pesa contra
O ritmo. O combate é mais lento que o dos RPGs de ação atuais, o primeiro ato demora a oferecer habilidades interessantes e há muito tempo de caminhada. O inventário pequeno obriga a voltar à cidade com frequência. As expansões lançadas depois resolvem parte disso e acrescentam um ato inteiro no reino de Hades.
Para quem vale
Para quem tem paciência e gosta de montar personagens. A Anniversary Edition roda em qualquer computador e costuma custar pouco. A continuação, Titan Quest II, está em acesso antecipado e ainda não tem a campanha completa, então o original segue sendo a recomendação.
Pontos fortes
- Sistema de duas maestrias
- Cenários que envelheceram bem
- Final no Olimpo bem preparado
Pontos fracos
- Ritmo lento
- Primeiro ato arrastado
- Inventário pequeno


