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Zeus, o Olimpo e a mitologia grega do jeito que os videogames contam.

Análise

Titan Quest: a longa caminhada até a porta de Zeus

O RPG de ação de 2006 atravessa três civilizações para terminar no Olimpo. Zeus só aparece no último minuto, e é exatamente por isso que a cena funciona.

Por Redação Mythos Play · · 7 min de leitura

Arte de divulgação de Titan Quest Anniversary Edition
Imagem de divulgação / THQ Nordic

Titan Quest começa numa estrada de terra perto de uma aldeia grega, com um herói sem nome e uma faca. Sátiros estão queimando as plantações. Ninguém sabe por quê. Trinta horas depois, esse mesmo personagem estará subindo os degraus do Olimpo. A distância entre uma cena e a outra é o que o jogo tem de melhor.

Um mundo antigo em linha reta

A campanha tem três atos longos. O primeiro cruza a Grécia, de Esparta a Atenas e Creta. O segundo desce o Nilo. O terceiro segue a Rota da Seda até a China. A premissa é simples: criaturas chamadas telquines romperam a ligação entre os deuses e os mortais e pretendem libertar um titã aprisionado. Os deuses, sem contato com o mundo, não podem ajudar.

É um caminho sem ramificações. Você anda, luta, recolhe equipamento e avança para a próxima cidade. O que mantém o interesse é a paisagem. Cada região usa a mitologia local para compor seus monstros, e a iluminação, para um jogo de 2006, continua agradável: campos de trigo ao sol, templos egípcios em contraluz, florestas de bambu na neblina.

Duas maestrias, uma classe

O sistema de personagem envelheceu bem. Você escolhe uma maestria no começo e uma segunda alguns níveis depois, e a combinação define a classe. Tempestade com Guerra dá um lutador que eletrifica a espada. Tempestade com Terra dá um conjurador de raios e fogo. Para quem quer brincar de Zeus, a maestria de Tempestade é o caminho óbvio, com relâmpagos encadeados e uma aura elétrica em volta do corpo.

O Olimpo e a fala final

No último trecho, o titã libertado é Tifão, e ele segue direto para a casa dos deuses. A luta acontece no topo do Olimpo, num pátio de mármore sob um céu fechado. É um chefe duro, que castiga personagens mal montados.

Depois da vitória, Zeus finalmente fala. A cena é curta. Ele reconhece o que foi feito e anuncia que a humanidade provou que pode cuidar de si sem a tutela do Olimpo. É um Zeus de voz serena, que encerra a própria era por decisão própria. Poucos jogos dão a ele tanta dignidade com tão pouco texto.

O que pesa contra

O ritmo. O combate é mais lento que o dos RPGs de ação atuais, o primeiro ato demora a oferecer habilidades interessantes e há muito tempo de caminhada. O inventário pequeno obriga a voltar à cidade com frequência. As expansões lançadas depois resolvem parte disso e acrescentam um ato inteiro no reino de Hades.

Para quem vale

Para quem tem paciência e gosta de montar personagens. A Anniversary Edition roda em qualquer computador e costuma custar pouco. A continuação, Titan Quest II, está em acesso antecipado e ainda não tem a campanha completa, então o original segue sendo a recomendação.

Pontos fortes

  • Sistema de duas maestrias
  • Cenários que envelheceram bem
  • Final no Olimpo bem preparado

Pontos fracos

  • Ritmo lento
  • Primeiro ato arrastado
  • Inventário pequeno

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