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Zeus, o Olimpo e a mitologia grega do jeito que os videogames contam.

Análise

God of War III, dezesseis anos depois: o Zeus que só restava destruir

Voltamos ao fim da trilogia grega para ver como envelheceu o retrato mais duro que os videogames já fizeram do pai dos deuses.

Por Redação Mythos Play · · 7 min de leitura

God of War III abre no meio de uma escalada. Kratos sobe o Olimpo nas costas de Gaia, cercado por titãs, e em poucos minutos está lutando contra Poseidon numa cena que continua impressionante. A câmera recua até o personagem virar um ponto e depois volta a fechar no rosto dele sem um corte visível. Em 2010 aquilo parecia impossível num console. Hoje ainda parece caro.

Zeus como espelho

A trilogia inteira trabalha uma ideia: nessa família, filhos derrubam pais. Cronos devorou os dele por medo, Zeus derrubou Cronos, e Zeus passa três jogos tentando evitar que Kratos repita o ciclo. No segundo jogo ele engana o filho e o mata com a Lâmina do Olimpo. No terceiro, espera no alto da montanha enquanto o panteão cai um por um.

O retrato é o de um rei tomado pelo medo. O jogo oferece uma explicação mitológica para isso, ligada à caixa de Pandora, e a explicação tira um pouco da força do personagem, porque transfere a culpa para fora dele. Ainda assim, a imagem que fica é poderosa: um deus enorme, de voz grave, que só consegue enxergar no filho a própria queda.

A luta final

O confronto com Zeus acontece em etapas. Começa numa plataforma no topo do Olimpo, em plano lateral, quase como um jogo de luta. Continua dentro do corpo de Gaia, ao redor do coração dela. E termina numa sequência em primeira pessoa em que o jogador decide quando parar de bater, enquanto a tela vai sendo coberta de vermelho. É uma das poucas vezes em que a série faz o jogador pensar no que está fazendo com o botão.

Mecanicamente, não é o chefe mais difícil do jogo. Vale pelo desenho de cena, pela variedade de formatos e por encerrar a história sem deixar ponta solta.

O que envelheceu

O combate continua ótimo. As Lâminas do Exílio têm peso, as armas secundárias trocam com um toque e a versão remasterizada roda com fluidez. O que envelheceu foi o tom. Kratos grita do começo ao fim, e algumas mortes de deuses são filmadas com um gosto pela crueldade que hoje soa gratuito. A tentativa de dar a ele uma motivação nobre na reta final, através de Pandora, chega tarde.

Visto de 2026, depois dos dois jogos nórdicos, God of War III funciona como o passado que o próprio Kratos preferia esquecer. Isso deixa a revisita mais interessante do que era na época.

Para quem vale

Para quem quer entender de onde vem a imagem de Zeus como vilão absoluto nos jogos, e para quem gosta de ação direta, sem mapa aberto. A versão remasterizada de PS4 roda nos consoles atuais da Sony e é o jeito mais simples de jogar hoje.

Pontos fortes

  • Direção de cena ainda impressionante
  • Luta final em três formatos
  • Combate fluido

Pontos fracos

  • Tom envelhecido
  • Protagonista de uma nota só
  • Violência por vezes gratuita

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