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Zeus, o Olimpo e a mitologia grega do jeito que os videogames contam.

Análise

Apotheon: subir o Olimpo dentro de um vaso grego

O indie da Alientrap transforma a cerâmica de figuras negras em cenário jogável e termina com um Zeus do tamanho do céu.

Por Redação Mythos Play · · 6 min de leitura

Arte de divulgação de Apotheon
Imagem de divulgação / Alientrap

A primeira tela de Apotheon já explica a proposta. Silhuetas negras de perfil, olhos de frente, fundo cor de terracota, frisos geométricos nas bordas. É a pintura dos vasos gregos do período arcaico, só que em movimento. O herói se chama Nikandreos e defende uma aldeia abandonada pelos deuses. Zeus decidiu que a humanidade não merece mais colheita, caça nem luz, e ordenou que o Olimpo retirasse tudo.

Hera muda de lado

Quem tira Nikandreos do chão é Hera. Cansada do marido, ela oferece ao mortal um caminho: subir a montanha e tomar de cada deus aquilo que ele negou aos homens. O arco de Apolo, a caça de Ártemis, o trigo de Deméter. A estrutura lembra a de um metroidvania leve. O Olimpo é um centro com portas, cada porta leva ao domínio de um deus, e você escolhe a ordem.

O roteiro é econômico e tem pouco diálogo. A opinião do jogo sobre Zeus aparece na arquitetura. O palácio dele fica no ponto mais alto, e a cada poder roubado o caminho até lá se abre um pouco mais.

A arte que organiza tudo

O estilo visual vai além do enfeite. Cada domínio usa uma cor de fundo diferente: o ocre da ágora, o verde da floresta de Ártemis, o azul profundo do reino de Poseidon, o vermelho dos salões de Ares. Os inimigos se quebram como cerâmica. As legendas citam Homero e Hesíodo. É um jogo que estudou a fonte e confia que o jogador vai notar.

Onde tropeça

O combate é o ponto fraco. As armas têm durabilidade e quebram rápido, o que obriga a trocar o tempo todo num inventário pouco prático. A mira com o analógico direito funciona bem para lanças e arcos, mas o corpo a corpo é impreciso, e a física solta faz Nikandreos escorregar em plataformas pequenas. Dá para se acostumar. Mesmo assim, o problema continua lá.

O Zeus do final

O último confronto compensa. Zeus enfrenta o mortal de igual para igual e, quando perde a paciência, cresce até ocupar a tela inteira. A luta passa a ser sobre escala: um homem pequeno, munido do que roubou dos outros deuses, contra um corpo que virou paisagem. O desfecho dá sentido ao título e não vamos contá-lo aqui.

Para quem vale

Para quem aceita controles ásperos em troca de uma direção de arte que não existe em outro lugar. É curto, cerca de oito horas, e aparece com frequência por menos de vinte reais.

Pontos fortes

  • Direção de arte única
  • Estrutura aberta do Olimpo
  • Luta final memorável

Pontos fracos

  • Combate corpo a corpo impreciso
  • Armas quebram depressa
  • Inventário pouco prático

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