Hades II: desta vez a guerra bate à porta do Olimpo
A continuação troca o filho rebelde por uma bruxa em missão e, pela primeira vez na série, leva o jogador até a montanha dos deuses.

Melinoë é irmã de Zagreu e cresceu longe de casa. Cronos, o titã do tempo, tomou o submundo e prendeu a família dela. Criada por Hécate numa encruzilhada escondida, a princesa tem um objetivo que cabe numa frase repetida antes de cada tentativa: a morte ao Tempo. O que mudou em relação ao primeiro jogo é que agora existem dois caminhos. Um desce até o Tártaro. O outro sobe até o Olimpo, que está sob ataque.
Um Zeus que precisa de ajuda
No primeiro Hades, o rei dos deuses falava de cima, com tempo de sobra para piadas. Aqui ele comanda uma defesa. As falas ainda têm a mesma cordialidade de anfitrião, só que interrompida por relatos da frente de batalha e por uma pressa que ele tenta disfarçar. A relação com Melinoë também é diferente. Ela não pediu abrigo a ninguém, serve a outra tradição e trata os olimpianos como aliados de ocasião. Zeus percebe e não gosta muito.
Esse deslocamento faz bem ao personagem. Ele deixa de ser o parente distante que não entende a situação e vira um governante que entende perfeitamente e depende de uma sobrinha que mal conhece.
Raio com atraso: a mecânica Blitz
As bênçãos de Zeus foram redesenhadas. O centro delas é o efeito Blitz: o golpe marca o inimigo e a descarga vem depois, quando ele é atingido de novo ou quando o tempo da marca acaba. Na prática, isso muda o ritmo. Em vez de espalhar dano por toda a sala, você escolhe alvos, marca e detona. Combina bem com o novo sistema de magia, em que segurar o botão consome uma barra para liberar versões carregadas dos ataques.
Melinoë é mais lenta que o irmão para escapar e mais forte para controlar espaço. O círculo que ela desenha no chão prende inimigos, e muitas bênçãos passam a agir dentro dele. Quem vem do primeiro jogo leva algumas horas para parar de jogar como Zagreu.
A subida
O caminho da superfície é a grande novidade. Ele passa por uma cidade tomada, por um mar de navios, e chega ao Olimpo, finalmente visível depois de um jogo inteiro de ausência. A direção de arte resiste à tentação do cartão-postal. A montanha aparece em obras de defesa, com mármore rachado, autômatos nas rampas e um céu errado. No topo, o adversário é à altura do cenário, e a luta contra ele é das mais impressionantes que o estúdio já fez.
O que pesa contra
Há sistemas demais. Recursos para colher, ferramentas para alternar, feitiços no caldeirão, cartas de arcanos, familiares. Tudo conversa bem, mas o começo é confuso e o jogo demora a soltar a mão. A história, por sua vez, tem um elenco tão grande que alguns deuses recebem menos atenção do que mereciam.
Para quem vale
Para quem terminou o primeiro e queria mais, é compra certa. Para quem nunca jogou a série, o original continua sendo a porta de entrada melhor e mais barata. Os dois se completam: um apresenta o Olimpo como promessa, o outro mostra o que acontece quando alguém cobra.
Pontos fortes
- O caminho até o Olimpo
- Mecânica Blitz muda o ritmo
- Chefes de grande escala
Pontos fracos
- Sistemas demais no começo
- Elenco grande, atenção desigual


