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Zeus, o Olimpo e a mitologia grega do jeito que os videogames contam.

Análise

Zeus: Master of Olympus, o deus que anda pela sua rua

O construtor de cidades de 2000 continua sendo o único jogo em que Zeus é, antes de tudo, um vizinho exigente.

Por Redação Mythos Play · · 6 min de leitura

Arte de divulgação de Zeus + Poseidon
Imagem de divulgação / Activision

Uma cidade grega começa com uma estrada, uma fonte e meia dúzia de casas. Em Zeus: Master of Olympus, o trabalho é fazer essas casas prosperarem. Os moradores querem comida, lã, azeite, teatro, ginásio e filosofia, mais ou menos nessa ordem. Quando a cidade cresce o bastante, os deuses começam a prestar atenção nela.

Deuses como vizinhos

Cada aventura define quais deuses simpatizam com a sua cidade e quais a detestam. Os hostis aparecem sem aviso. Ares traz soldados, Poseidon arrasa o porto, Hades faz os mortos saírem do chão. Os amigos podem ser convidados a ficar, e para isso é preciso construir um santuário.

O de Zeus é o maior e o mais caro. Pede mármore em quantidade, escultores e anos de obra. Concluído, traz o deus para dentro da cidade. Ele passa a caminhar pelas ruas, de barba branca e passo largo, e nenhum outro deus ousa atacar enquanto ele estiver ali. É uma apólice de seguro com personalidade.

O tom

O jogo é uma comédia. Os cidadãos comentam a vida com frases curtas e sarcásticas, os heróis convocados reclamam das exigências antes de aceitar a missão, e os monstros têm animações de desenho animado. Hércules só aparece se a cidade tiver vinho suficiente e um bom ginásio. É um humor de sábado de manhã que envelheceu melhor do que o de muitos jogos mais recentes.

Esse tom faz diferença para o retrato de Zeus. Ele é poderoso, mas é também um personagem de bairro, alguém que se agrada com um templo bonito e uma oferenda regular. Vinte anos antes de Hades e de Immortals, a Impressions já tinha entendido que o panteão grego funciona bem como elenco de comédia.

Como se joga hoje

A versão vendida atualmente junta o jogo original e a expansão Poseidon. Roda sem ajustes em sistemas modernos, mas a resolução é baixa e a interface ocupa boa parte da tela. A comunidade mantém correções para telas largas, e vale a pena procurá-las.

O desenho das aventuras continua excelente. Cada uma é dividida em episódios, e a cidade principal se mantém de um episódio para o outro, o que dá uma sensação de continuidade rara no gênero.

O que pesa contra

A logística de distribuição depende de funcionários que andam pelas ruas ao acaso, e uma esquina mal planejada pode deixar um bairro inteiro sem azeite. É uma regra herdada dos jogos anteriores do estúdio e exige alguma tolerância. Não há tutorial moderno, apenas as primeiras aventuras, que ensinam aos poucos.

Para quem vale

Para quem gosta de construir com calma e quer ver de onde vem a tradição do Zeus bem-humorado. É barato, leve e rende dezenas de horas.

Pontos fortes

  • Humor que envelheceu bem
  • Aventuras em episódios com cidade persistente
  • Deuses presentes no dia a dia

Pontos fracos

  • Resolução e interface datadas
  • Distribuição por caminhantes exige paciência

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